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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Um poema vazio literalmente;literalmente.

Poema vazio
É o que faço,
Se não me valer da metalinguagem
Pareço fraco.
Com adornos e excelsas palavras
Decoro o poema,
Acrescento rimas e aliteração,
Criando ritmo no fonema.

A esmo em meu espaço de trabalho.
Bagunço as folhas,
Rabisco o papel;
Olho para meu piano,
Preciso passar um pano.
Já é meia-noite,
Navego nos dados vazios,
Vejo a rede de aparências;
Irônico,nela posto poesias.
Mas não são vazias,
São tão carregadas de sentimentos quanto quem lê.

Entro no blog,
Três cliques e aparece um espaço em branco,
O vazio que se tornará mar de pensamentos;
O limitado que se tornará tão infinito;
O nada que se tornará tão vivo.
Mas não acredito
Que mais um poema está sendo escrito,
Poemas e poemas,nascem desse nada.
Eu estou aqui,
Em partes triturado e adornado
Por meio de frases.
Infinitos sentimentos por onde escrevo,
Não mais estou a esmo.

Quarta estrofe.
Trigésima quarta linha do poema,
O trigésimo sexto poema.
Tempo escorre...
Morto de mente,finalmente morto.
Corro dormente e sem mente grito socorro.
Tropeço na corrente somente,
Caio na poça de água ardente
Da chuva torrente;
Vejo sepultar-se uma semente,
Semente somente. Somente ela sente.
Entendo solenemente na enchente
Que ela não está mais doente.
Mas doente estou eu por estar demente.
A cegueira é frenquente;
Mas quer que eu a enfrente,lamente valente.
Quadragésima oitava linha do problema.

Uma da manhã.
Acrescento palavras ao poema
Como alguém acrescenta tijolos a um muro.
Esse é o meu muro:
Meus sentimentos são os grafittis,
Nessa área do muro não tem pichação,
Pichação se expressa como os maus sentimentos,
Mas estou bem no momento. Somente no momento.
A verdadeira inspiração eu anseio.
De cores meu texto está cheio,mas meu receio...
É de tudo desabar,como tempestade que esfaqueia o brilho do dia;
Como fogo que consome tudo o que eu tinha.
Sai daqui,o poema é meu,não quero melancolia nesse!
Texto de angustia aqui por enquanto já deu,podes desvanecer!
Sexagésima linha do calema.
Que ondula em esquemas,rimas e fonemas.
Outra linha sem sentimento algum...
Afinal,é mais fácil idealizar cores
Do que pintar a alma com elas.
Afinal,aliás...
Poema vazio:
É o que eu faço.
Essa é a penúltima linha do poema,
E essa é a ultima de todo esse fracasso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Tribulação da Existência: A Agonia Infinita e o Caos de cada indivíduo.

Vales mortos,
Folhas tão frágeis quanto a vida,
Ressecadas pelo tempo;
Cercadas pela morte.
Animação para desaparecer,
Mortas e com cortes.

O lúgubre vale cinza
Inanimado não tem mais vida.
Animais atraídos pelo suicídio
Loucos agoniando em delírio.
O sofrimento tem de torturar
Aqueles que ousam tentar lutar.
Lutar e sobreviver;
Apenas sobreviver..
Pois não há mais vida,
Não há mais nada além da dor de sua existência.

Os corpos são como as frutas murchas,
Mas por dentro e não por fora;
Vivos na aparência
Esmaecidos na essência.
E que essência seria essa?
Algum dia já existiu a felicidade?
Ela é a inimiga dos odiados,
Sonho dos fracos,
Ilusão dos românticos,
O nada para pessimistas,
E a migalha para realistas.

Morra,
Morra e lute.
Morra,
Morra e sofra!
Um pouco mais,martírio aos que a felicidade anseiam.
Sangra o teu devaneio.
Já não mais luto por essa tortura.

Niilistas já sabem o que passam
Mas nenhum castigo é o suficiente,
Me aconchego na aflição,
Não finjo ser contente.
Os demais que o fingem
Sofrem em angústia ardente.

Felicidade...
Uma ilusão confortante.
Marasmo...
A realidade deteriorante.

Maqueie a felicidade,
Cavando tua cova.
Sorria,engula o choro
E com ele suas ânsias,dores;
Leve tudo a seu peito,junto com o pranto.
Melancolicamente os animais do vale caminham sem vida,
Tão vivos mas ao mesmo tempo tão mortos,
Cercados pelo tempo.
Prazer em morrer cedo.

A morte não é um medo,
É uma esperança,
Para quem já está morto por dentro.
Quebram-se os galhos da ultima árvore.
O tempo acabou!
A ampulheta gritou,
Com o fim do tempo
A eles vem a morte;
E com ela,a paz.

Há algo mais angustiante que existir?
Dia após dia,morrendo gradativamente.
Mentiras,ilusões,
Medos e más ações,
Julgando-lhe explicitamente;
Pessoas vazias,que te deixam também num vazio
São como árvores secas e ocas por dentro,
Mas com uma casca ajaezada e garridas folhas falsas de plástico,
Brincando de faz-de-conta.
Faz de conta que és feliz,
Faz de conta que tudo está bem,
Faz de conta que não quer gritar,
E convide os outros pra brincar também!
Nas aparências parecem tão felizes
Como se tivessem alcançado o paraíso em Terra.
Nas aparências tudo está tão perfeito,
Mas no fundo todos têm defeitos.
Aparências,no que o mundo gira em volta.

Bem aventurados são aqueles que reconhecem os perigos da vida.
A quem tentam enganar aqueles que fazem tanta propaganda?
Apenas sofra,um pouco mais;
Acorde do utópico mundo perfeito,
Veja o mundo como ele é:
Recheado de caos e desespero.

Você não precisa aceitar,
Só parar de tentar ignorar.
Ignorar o seu sofrimento;
Ignorar o sofrimento do outro.
Acorde,aceite...
Mas tente mudar,
Chorar ou reclamar nada vai adiantar
Mas tenho certeza que continuar fingindo
Só vai piorar.

Nas sombras do Vale da Morte vagam os poetas,
Também se rastejam os desiludidos de tudo,
E se escondem os omissos ao mundo.
Mas todos estamos unidos por uma corrente de angústias,
Todos somos vítimas do descaso,dor e medo;
Não minta para si mesmo,
Não podemos negar,
Todos um dia irão descobrir e sentir.

A confiança em demasia é o nosso túmulo.
Indiferença é a facada letal;
Solidão em uma imensidão de necessidades.
Mar de desesperos,tempestades de consternações,
Um aperto insuportável!
Em cada coração
Cada respiração é uma tonelada.
Ruídos nos pensamentos,
Lágrima iminente,
Confusão na mente.
Todos precisam de uma saída,
Escapamento de stress;
Fuga emergencial das paredes de problemas...
Não são paredes,são entulhos
Que parecem se arrastar para cima de você.
Afoga-se em mágoas,a pressão chega ao limite,
Você explode em ansiedade e pranto!
O sofrimento te sufoca,mas não tem como fugir,
Incompreensível? Sua experiência faz parte da vida de muitos.
Todos guardam essa bomba em seus corações,
Porque ninguém se importa com o que o outro sente.

Aparências,
No vale é só mais um detalhe,
Todos continuam mortos por dentro.
O amor...
Os zumbis se perguntam o que é;
É tudo sobre se importar com o próximo,
Mas os animais desse vale não sabem amar,
Nem sabem quando são amados,
Até porque amar é apenas para animais que enxergam além de seu próprio sofrimento.
As plantas desse campo morto não amam,
Apenas se sentem atraídas pelas experiencias carnais,
Se atraem apenas pela estética
E pelo que o outro parece ser.
Tudo bem você estar morto e ser um cadáver que exala tristeza,
Mas o interesse por aparências é só mais um peso
Nos grandes depósitos de caos de cada um.
Pessoas vazias.

Morra,apenas morra por fora.
Solte esse ultimo galho,
Desvaneça da angústia!
Eu posso ser seu ponto de escape de dor,
Sou a pinça que lhe puxa a bala profunda;
Fuja para mim,por mim e por você,
Eu estarei lá para atenuar suas feridas.

Meu sofrimento é arremessado por palavras,
Palavras acumuladas de um modo específico,
Formando um aglomerado de palavras com sentido.
Cada palavra é carregada com um padecimento que em mim habita.
Transfiro a aflição para o poema.
O poema,tal obra que sempre afrouxou pelos séculos
E emanou por rabiscos a imensidão de uma mente.
Mente que ama,que se inspira,que odeia,que descreve,que idealiza;
E principalmente,uma mente que sofre.
Poemas são um esboço visual de uma amostra da gama de sentimentos humanos,
E uma parcela da quantidade de desassossego que condena uma alma.

Morro cada vez mais,
Sofro além do que sou capaz.
Notas em preto e branco,
Desalento bi-cromático,
Assim como me sinto por dentro.
No meu piano arremesso sentimentos inteiros pela sonata.
E numa valsa cada nota é uma gota de sangue,
E no ápice da taciturnidade
As feridas rasgam com raiva e desolação,
Intensifico a força e a velocidade,
Não mais numa valsa estou!
O som se abafa e me perco nos pensamentos...
Me afogo mais e mais,
Silenciado e tomado pelos meus tormentos.

Somos arbustos mortos e animais perdidos.
Almas condenadas se arrastando em espinhos.
Incompreensíveis mas tão iguais:
Aqui o caçador é a vida,
E nós somos os animais.
Lutando para sobreviver,dia após dia...
Cegos a tudo que vai além de nós mesmos.
Cegos a tudo,limitados a aparências.
Nos resta tentar entender,sobreviver,conviver
Enquanto nossa salvação de exício não chega.
O lúgubre vale cinza,
Inanimado,ocaso e arruinado;
Nenhum castigo é o suficiente!
Tortura contínua é tentar parecer contente.
As pessoas que te apoiam estão ausentes,
Tudo ficou soturno tão de repente.
Estamos no inferno na Terra,
Viver é o maior castigo,
Nossa mente o maior inimigo,
Pessoas vazias o maior perigo.
Venha fugir comigo.
Morrer,sumir,renascer,sofrer e sofrer.
Destruir-mo-nos para criarmos algo novo,
Das ruínas e do caos vem a nossa nova ordem.
Como a vida: O caos fantasiado de ordem.
Assim como tudo gira em torno dos sentidos,
Não há realidade para nós,para ninguém.
Então apenas fugimos para uma ruína,
Onde podemos morrer quantas vezes quisermos,com nossa própria confusão,
Sendo eternos em uma nova ilusão.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fuga

Em perseguição à felicidade
Minh'alma é meu carro
Meu sofrimento o motor
Corrida sem fim
Sem fim da dor
Sem fim do medo
Inalcansável,motor exaustando
Carro derrapando
Piloto morrendo
Morrendo por dentro

Tristeza,meu combustível
Abastece minha dor carnal
Destruição mental
Labirinto emocional
Pingo a noite
O caos se aproxima
Não há parada
Viver é o perigo
Sem onde bater
Não aguento estar vivo
Arma sem carga
De mãos atadas
Sem controle ou freio
Fuga da realidade
Sem fuga da dor

Utopia da felicidade
Utopia da alegria
Deixe-me morrer de verdade
Fugir dessa agonia