Tic tac,tic tac.
O viajante
Se encontra tão só,
E só vai embora,
Embora ele conheça muita gente.
As lágrimas do tempo em seu rosto escorrem,
"Tenho que ir" -diz o viajante;
Não para naquele lugar por um instante.
Como um aventureiro,explora novos locais,
Novas vidas;
Novas almas;
Novos pessoais;
E pelo caminho faz sua fama,
A viagem é longa.
Anos,meses,
Semanas,dias,
Horas,minutos...
E nos momentos,cada segundo.
Segundos que escorrem pela ampulheta da vida...
Marcam na alma,
Eterno. E ali fica,
Marcado cada dia.
E ali fica,
Marcado cada companhia.
Momentos de ouro,ouro que reluz,
Ouro brilhante que brilha na mente.
Emana em memórias a vida.
Para o viajante,muitas cenas hão de serem vistas ainda,
Mas um simples momento com quem ama
É mais que suficiente.
E o suficiente para gravar um novo filme reluzente
De um bobo momento. Bobo mas contente.
"Em um mês vou embora".
O homem que nunca está.
Torturado pela brevidade do tempo,
Pela brevidade dos meses,
Torturado pela brevidade...
Da felicidade.
Constante estrangeiro,
Como uma planta que morre e renasce
De novo e de novo,
Cada vez em um vaso diferente.
Oh viajante,por que tão inconstante?
"Vou sentir saudades" diz o morador velho;
"Mas já?" triste pergunta a fazendeira;
Oh nômade,por que tão rápido?
Cultiva a terra por pouco tempo
Mas é como se estivesse a uma eternidade,
Uma eternidade de pensamentos;
Eternidade de sofrimentos;
Eternidade em momentos;
Eternidade de sentimentos;
Mas tão pouco tempo.
Acaba de descobrir as maravilhas da terra,
Floresce para ele o jardim,
Mas em seguida já tem que ir;
Nobre amante móvel,
Tanto descobriu,
Tanto amou;
Tanto se divertiu;
E tanto se decepcionou.
Terras longínquas ainda por ti precisam ser exploradas,
Mas o tempo te arrasta,
O tempo é um babaca!
E logo outras terras você encontra,
Em cada pedaço de vida que você vá
Novos amigos sempre fará,
Chances de amor encontrará,
E muitas e muitas histórias viverá;
Momentos lembrará,
E suas viagens passadas contará.
Como um aventureiro
Explora novos sentimentos,
Descobre novos experimentos,
Encontra novos tormentos.
Amar,lutar,mudar... fugir e sofrer!
Mas continuar a explorar,
Continuar a conquistar.
Tantos corações você há de encantar.
Oh nômade,toca o teu piano,
E com ele,as almas que encontras.
A hora do adeus.
Agora é o momento de despedida;
O viajante encontra pela ultima vez
A sua turma querida,
E uma linda garota,que poderia ser uma margarida
Para ele leva-la para todo sempre
No bolso ou na mochila,
Para leva-la a todo lugar.
E a ela contemplar,
No vaso ou no coração,
E pede em oração
Para a flor não desidratar.
A hora do Adeus.
E todos que na despedida estão
Derramam lágrimas ao chão,
Pois sabem que o nômade irá para sempre;
Para o infinito ele rumará,
E naquele lugar,nunca mais voltará.
A ampulheta frenética a apressar,
E os grãos de areia descem como uma avalanche do tempo;
Um deslizamento de tristezas e saudades.
A mudança na tempestade.
Tic tac,
Tic tac,
E o tempo passa...
Tic...
As promessas também,
Tac.
Infinitas promessas,
Tic...
Mas os cumprimentos nunca vêm.
Tac!
Depois,depois,depois...
*clack*-estala o relógio
Arma carregada,um perigo iminente.
Nômade,corre e corre.
Procura o tempo que perdeu,
Repõe as juras de quem prometeu,
Mostre-os o valor que é seu!
Tic tac,fim da linha;
Hora do Adeus.
Sentirei saudades.
Em minha mente tudo aqui continuará vivo,
Mas meu corpo e alma,
Precisam seguir em frente.
Destino,quer que eu o enfrente,
Mas estou tão dormente;
A confusão da viagem.
Nômade,ama demais;
A vida é um jogo de dados,
Cada dia uma nova surpresa para nos impressionarmos.
Cada dia uma descoberta,
Uma nova alma.
A minha ainda está aberta.
Cá estou,na nova vida.
Tão nova mas tão conhecida;
Experiência inédita,
Sentimento velho,não é a primeira vez
Que tenho que partir.
E ainda me lembro
Dos velhos e ótimos amigos que já me fizeram sorrir.
Agora os novos daqui também farão,
E mutuamente grato serei,
Mutuamente,feliz os farei.
E tentarei... ser uma boa memória.
Pois é isso o que sou,
E é o melhor que posso ser.
O que sempre serei,
E de ninguém,jamais esquecerei.
Eu sou um nômade,
O nômade das memórias;
O cultivador de emoções;
O cultivador de almas;
O nômade que parte;
O nômade das longas caminhadas.
As caminhadas longínquas da alma..