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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Garota Estelar 2:O Cântico Quântico| Paradoxo do amor e a dualidade.

Li uma vez...
Que amar é como entrar num buraco de minhoca...

É um mistéro o que será
Quando amar.
Pode ser bom ou ruim;
Planos funcionam ou não;
Você pode ir pro passado,
Amar o presente
E anseiar o futuro;
Ou ir a lugar nenhum.

O sentimento em você é como uma distorção e viagem.
Você se sente de tantos modos
E ao mesmo tempo num vazio.
Amor é turbulência e também tranquilidade,
É o caminho desconhecido de terror e alegria;
Amar é como cair numa oscilante entropia.

Enfim então,
Amar é o perigo a ser corrido;
Incalculado e incalculável risco.
Amor,o qual se cai sem ver
Nem saber
O que esperar no fim.

A garota estelar
É o que me faz amar.
Ela é o medo que me corrói;
Ela é a alegria que mói;
Ela é a angústia;
Ela é a minha tão esperada aventura.
O desconhecido em que me jogo sem medo,
Ela é...
O suicídio perfeito!

O paradoxo que me torce,
O passado que me contorce,
E o presente que retorce;
Ela é o futuro com que sonho.
E no leito da eternidade os instantes fervem,
A garota quântica que me agita ao máximo ponto;
Com ela frito e congelo,
E conheço o universo mais belo.
Com ela estou no céu...
Com ela estou no inferno.

Com ela sonho acordado,
Ela é meu sofrimento alucinado;
Com ela estou tão vivo;
Agitado e parado.
Com ela também tão morto.
Aqui e lá.
O paradoxo do amor,
O paradoxo dela.
Meu pesadelo,
Minha idealização tão bela.
Amo esse devaneio.
O fim deve ser lindo;
Mas o caminho é tão feio.

Amor,
Amor,amor!
Lúgubre e bondoso veneno.
Amor,o suco.
Açucar terrível;
Ácido sereno;
O que é o amor afinal?
É a viagem no tempo sem um presente?
É a entropia que retorna à ordem?
Amor é o que eu sinto,
É o que eu sofro;
É o castigo;
É o pior fogo.
É o multiverso,
É meu vilão perverso,
Amor é o que sai do sorriso dela.
Celestial facada.
É o suicídio apaixonante,
O que deixa mais intenso cada instante.

Enfim,
Amar é como entrar num buraco de minhoca.
E eu amo ela,
Estou no paradoxo do amor.
Não sei quem sou,
Não vejo,
Não sei,
Não sinto.
O fim é uma ilusão.
Cada momento com ela
É uma nova dimensão.
Me leva ao hiperespaço
Sempre que nos sincronizamos
Pelo coração,num abraço.

Como a luz,eu viajo em círculos
Em um buraco negro:ela.
Com ela,o tempo para;
Com ela,não sou nada.
Arremessado e puxado.
Morto e ressuscitado.

Amo ela,amo ela.
Aquele beijo anseio;
Inutilmente,pois sou um átomo;
Meu único elétron vaga tristemente.
E com ela,ele viaja eternamente.
Com ela,
Está em 6 lugares simultaneamente.
Ainda caio neste buraco,
O paradoxo de amar
Essa excelsa garota estelar

Terror e alegria,
Adimensional como um hipercubo.
O fim do tunel eu busco;
O fim da ânsia;
Desconhecido fim!
Céu e inferno para mim.
Eu amo ela,
E eu amo ela!
No loop da morte -amor- eu caio!
Vívido devaneio,
Inconstante viagem;
Suicídio perfeito!

Ela é meu caminho desconhecido
De alegria e terror.
Nossas mentes se conectam
Como almas sintéticas
Criadas num big bang como clones,
E eu amo ela...
O vortex:aquele rasgado riso.
Não conseguirei sair vivo.
Unidimensional!
Ela é estrela de nêutrons,
A morte tempestuosa,
A calmaria na tormenta;
A Ordem no Caos,
E meu Caos crescente.
Sinto tudo e nada,tão de repente
Com ela sonho acordado.
Estou morto!
Zumbi apaixonado.
Eco no espaço,
Pingo no lago sem fim,
Ondulando e vibrando;
Lago de dor!
Paraíso em carmesim,
No paradoxo terrível do ardor.

Não sei quem sou
Nem para onde vou.
Amo a garota estelar,
Ela nunca para de brilhar;
Luz-guia infernal na doca.
Cântico lunar;
Luz gritante na escuridão vulgarmente simplória.
Eternamente
O canto quântico irei declamar,
Ao meu universo:
A garota espetacular.

Li uma vez...
Que amar é como entrar num buraco de minhoca.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O nômade das caminhadas longínquas da alma.

Tic tac,tic tac.
O viajante
Se encontra tão só,
E só vai embora,
Embora ele conheça muita gente.
As lágrimas do tempo em seu rosto escorrem,
"Tenho que ir" -diz o viajante;
Não para naquele lugar por um instante.

Como um aventureiro,explora novos locais,
Novas vidas;
Novas almas;
Novos pessoais;
E pelo caminho faz sua fama,
A viagem é longa.

Anos,meses,
Semanas,dias,
Horas,minutos...
E nos momentos,cada segundo.
Segundos que escorrem pela ampulheta da vida...
Marcam na alma,
Eterno. E ali fica,
Marcado cada dia.
E ali fica,
Marcado cada companhia.
Momentos de ouro,ouro que reluz,
Ouro brilhante que brilha na mente.
Emana em memórias a vida.
Para o viajante,muitas cenas hão de serem vistas ainda,
Mas um simples momento com quem ama
É mais que suficiente.
E o suficiente para gravar um novo filme reluzente
De um bobo momento. Bobo mas contente.

"Em um mês vou embora".
O homem que nunca está.
Torturado pela brevidade do tempo,
Pela brevidade dos meses,
Torturado pela brevidade...
Da felicidade.
Constante estrangeiro,
Como uma planta que morre e renasce
De novo e de novo,
Cada vez em um vaso diferente.

Oh viajante,por que tão inconstante?
"Vou sentir saudades" diz o morador velho;
"Mas já?" triste pergunta a fazendeira;
Oh nômade,por que tão rápido?
Cultiva a terra por pouco tempo
Mas é como se estivesse a uma eternidade,
Uma eternidade de pensamentos;
Eternidade de sofrimentos;
Eternidade em momentos;
Eternidade de sentimentos;
Mas tão pouco tempo.

Acaba de descobrir as maravilhas da terra,
Floresce para ele o jardim,
Mas em seguida já tem que ir;
Nobre amante móvel,
Tanto descobriu,
Tanto amou;
Tanto se divertiu;
E tanto se decepcionou.
Terras longínquas ainda por ti precisam ser exploradas,
Mas o tempo te arrasta,
O tempo é um babaca!
E logo outras terras você encontra,
Em cada pedaço de vida que você vá
Novos amigos sempre fará,
Chances de amor encontrará,
E muitas e muitas histórias viverá;
Momentos lembrará,
E suas viagens passadas contará.

Como um aventureiro
Explora novos sentimentos,
Descobre novos experimentos,
Encontra novos tormentos.
Amar,lutar,mudar... fugir e sofrer!
Mas continuar a explorar,
Continuar a conquistar.
Tantos corações você há de encantar.
Oh nômade,toca o teu piano,
E com ele,as almas que encontras.
A hora do adeus.
Agora é o momento de despedida;
O viajante encontra pela ultima vez
A sua turma querida,
E uma linda garota,que poderia ser uma margarida
Para ele leva-la para todo sempre
No bolso ou na mochila,
Para leva-la a todo lugar.
E a ela contemplar,
No vaso ou no coração,
E pede em oração
Para a flor não desidratar.

A hora do Adeus.
E todos que na despedida estão
Derramam lágrimas ao chão,
Pois sabem que o nômade irá para sempre;
Para o infinito ele rumará,
E naquele lugar,nunca mais voltará.
A ampulheta frenética a apressar,
E os grãos de areia descem como uma avalanche do tempo;
Um deslizamento de tristezas e saudades.
A mudança na tempestade.
Tic tac,
Tic tac,
E o tempo passa...
Tic...
As promessas também,
Tac.
Infinitas promessas,
Tic...
Mas os cumprimentos nunca vêm.
Tac!
Depois,depois,depois...
*clack*-estala o relógio
Arma carregada,um perigo iminente.

Nômade,corre e corre.
Procura o tempo que perdeu,
Repõe as juras de quem prometeu,
Mostre-os o valor que é seu!
Tic tac,fim da linha;
Hora do Adeus.

Sentirei saudades.
Em minha mente tudo aqui continuará vivo,
Mas meu corpo e alma,
Precisam seguir em frente.
Destino,quer que eu o enfrente,
Mas estou tão dormente;
A confusão da viagem.
Nômade,ama demais;
A vida é um jogo de dados,
Cada dia uma nova surpresa para nos impressionarmos.
Cada dia uma descoberta,
Uma nova alma.
A minha ainda está aberta.

Cá estou,na nova vida.
Tão nova mas tão conhecida;
Experiência inédita,
Sentimento velho,não é a primeira vez
Que tenho que partir.
E ainda me lembro
Dos velhos e ótimos amigos que já me fizeram sorrir.
Agora os novos daqui também farão,
E mutuamente grato serei,
Mutuamente,feliz os farei.
E tentarei... ser uma boa memória.
Pois é isso o que sou,
E é o melhor que posso ser.
O que sempre serei,
E de ninguém,jamais esquecerei.

Eu sou um nômade,
O nômade das memórias;
O cultivador de emoções;
O cultivador de almas;
O nômade que parte;
O nômade das longas caminhadas.
As caminhadas longínquas da alma..


Tribulação da Guerra:A agonia infinita e o Caos de cada indivíduo| Caótica Sociedade

Do sangue à vida,
Sede ao novo mundo,
Morte ao velho.
Outrora brilha,
O agora queima!
O passado virou cinzas.

Da morte à "vida".
Imundo broto,
Corrompido à beira farropilha;
Andarilhos sem pátria,
Sem nome;
Sem família;
Sem amor;
Sem vida.

Da morte à morte,ciclo lugubremente sujo.
E sujas as almas que pelas ruínas vagam;
Ruínas de concreto,
Ruínas de almas.
De muitas vidas,um cemitério.
Consumido pelo fogo,
Consumido pelo ódio,
E pela disputa pelo pódio.
Nada restou,
Só os restos que rastejam sob os ossos mortos
Do campo destruído e desertores mórbidos.

Da guerra à morte.
A nova rotina tenta se montar
Sob a carcaça da velha vida,
Rotina da morte,uma nova não-vida.
Sobrevive aos fogo mas continua no inferno,
Sofredores sobreviventes,agoniando em correntes;
Sobreviventes sempre,aflitos eternamente.
Correntes do passado,passado recente.
Passado destruído;
Passado queimado;
Passado esquecido;
Passado que está sendo pisado.

Sob os sujos pés está a poeira de almas e histórias,
Tomadas pelo egoísmo e guerras por alguma vitória;
A vitória é a vida,todos aqui tiveram derrota.
Conflitos sem fim por algum fim incomum,
Tão comum a morte e destruição;
É o que os que lutam têm em comum.
Agora no campo dos derrotados
Os sobreviventes são inundados
Com discursos falsos.

O falso orgulho da vida no inferno.
Discursando implicitamente sobre a nova rotina,
Rotina em bando,
Rotina do povo se escravizando
Para remontar uma cidade,
Criarem novas histórias,
Disfarçarem a tristeza profunda
E continuarem egoístas dizendo
Que "passado é passado";
Mas esquecem que o presente é consequência desse passado,
E o agora é causa do futuro,
E vão repetir os erros que fizeram a cidade sucumbir,
E sucumbirão novamente.
Pois o ensino foi deficiente,
E os ensina a obedecer e fazer o que os levou a ruínas.
Abastecendo os poderosos,nesse ciclo ambicioso.
E apenas números serão essas novas vidas.

E vivem a nova rotina:
Se escravizando,
Para remontar uma cidade,
Criarem novas histórias,
Disfarçarem a tristeza de verdade
E depois queimarem essa nova vida
E demolir tudo novamente.

Do sangue à vida,
Da destruição à criação,
Do caos à ordem!

E continuam a se destruir,
Sem piedade;
Sem pensar;
Sem amar!

Da morte à morte,
Da destruição à destruição;
E o caos segue eterno.
Fênix zumbi que já não queima mais,
Ave cinza que chora vida;
A incansável perseguição à alegria.
Em uma angústia favorita
Tentando ser suprimida,
E suprimida;
Por modos débeis de distração;
Por modos débeis de destruição;
Por máscaras débeis para cada coração,
E cada lágrima carregada de dor
Escorre por cada rosto ,
Carregados de rancor.

Um passado,um presente e um futuro,
E uma certeza:
O conflito sem fim,por poder.
As mortes sem fim,por interesses.
A chuva vermelha por opiniões contrárias,
E hordas de pessoas otárias.
Cada arma carregada,
Cada bala disparada;
Cada furo e cada buraco,
Refletirão no caos de cada um de nós...
Refletirão no caos da sociedade,
Na violência e atrocidade,
Que nunca deixamos de ter.
Sede por sangue,sede por vingança!
E o ferro quente cuspindo pedaços de "justiça";
O sangue fervente promovedo a matança;
Sem nenhum motivo real.
Cada morte e cada alma,
Cada história,e vida que for tirada,
Cada brutalidade será apenas uma parte
De nossa débil e animalizada,
Caótica sociedade.

Garota estelar

De tantas estrelas,
Você!
De tantos sorrisos,
O seu!
Do instante à eternidade,
O nada e o tudo;
O emanharado incrível de luzes e cores.
Branca estrela,todas as cores e ainda nenhuma.
Assim no seu olhar,galáxias eu vejo.
Os cantos do teu sorriso,sorriso tão belo:
São os cantos do universo!
Você é a estação espacial alfa.
Estar com você é como girar sem parar numa entropia fantástica,
Seu abraço é minha gravidade simulada;
Seu abraço. Tão acolhedor leito;
Esse aconchego é o que anseio,
O abraço que tanto desejo!
Sou um asteróide,sendo puxado pelo brilhante Quasar:
Você!
E um pequeno astronauta
Que da cabine admira essa majestosa valsa de cores.
Valsa de cores estelar,valsa de sentimentos
Que pulsam de acordo com as batidas do seu coração junto do meu.

O seu sorriso é a minha constelação favorita.
E mesmo que pareça apenas uma garota linda,
Em você eu vejo a beleza infinita,a paz do mundo esquecida.
Em você sinto o universo;
E no calor do seu abraço,esse universo pulando e brilhando,
Emanando,
Brincando,
Inspirando.

De todas as maravilhas,
Você.
Poderia estar com você pela eternidade,
Que ainda seria pouco.
Ainda que eu viajasse por você durante vidas,
Seria insuficiente para admirar e viver
Toda sua grandiosidade,
Grandiosa alma.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Um poema vazio literalmente;literalmente.

Poema vazio
É o que faço,
Se não me valer da metalinguagem
Pareço fraco.
Com adornos e excelsas palavras
Decoro o poema,
Acrescento rimas e aliteração,
Criando ritmo no fonema.

A esmo em meu espaço de trabalho.
Bagunço as folhas,
Rabisco o papel;
Olho para meu piano,
Preciso passar um pano.
Já é meia-noite,
Navego nos dados vazios,
Vejo a rede de aparências;
Irônico,nela posto poesias.
Mas não são vazias,
São tão carregadas de sentimentos quanto quem lê.

Entro no blog,
Três cliques e aparece um espaço em branco,
O vazio que se tornará mar de pensamentos;
O limitado que se tornará tão infinito;
O nada que se tornará tão vivo.
Mas não acredito
Que mais um poema está sendo escrito,
Poemas e poemas,nascem desse nada.
Eu estou aqui,
Em partes triturado e adornado
Por meio de frases.
Infinitos sentimentos por onde escrevo,
Não mais estou a esmo.

Quarta estrofe.
Trigésima quarta linha do poema,
O trigésimo sexto poema.
Tempo escorre...
Morto de mente,finalmente morto.
Corro dormente e sem mente grito socorro.
Tropeço na corrente somente,
Caio na poça de água ardente
Da chuva torrente;
Vejo sepultar-se uma semente,
Semente somente. Somente ela sente.
Entendo solenemente na enchente
Que ela não está mais doente.
Mas doente estou eu por estar demente.
A cegueira é frenquente;
Mas quer que eu a enfrente,lamente valente.
Quadragésima oitava linha do problema.

Uma da manhã.
Acrescento palavras ao poema
Como alguém acrescenta tijolos a um muro.
Esse é o meu muro:
Meus sentimentos são os grafittis,
Nessa área do muro não tem pichação,
Pichação se expressa como os maus sentimentos,
Mas estou bem no momento. Somente no momento.
A verdadeira inspiração eu anseio.
De cores meu texto está cheio,mas meu receio...
É de tudo desabar,como tempestade que esfaqueia o brilho do dia;
Como fogo que consome tudo o que eu tinha.
Sai daqui,o poema é meu,não quero melancolia nesse!
Texto de angustia aqui por enquanto já deu,podes desvanecer!
Sexagésima linha do calema.
Que ondula em esquemas,rimas e fonemas.
Outra linha sem sentimento algum...
Afinal,é mais fácil idealizar cores
Do que pintar a alma com elas.
Afinal,aliás...
Poema vazio:
É o que eu faço.
Essa é a penúltima linha do poema,
E essa é a ultima de todo esse fracasso.

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A Tribulação da Existência: A Agonia Infinita e o Caos de cada indivíduo.

Vales mortos,
Folhas tão frágeis quanto a vida,
Ressecadas pelo tempo;
Cercadas pela morte.
Animação para desaparecer,
Mortas e com cortes.

O lúgubre vale cinza
Inanimado não tem mais vida.
Animais atraídos pelo suicídio
Loucos agoniando em delírio.
O sofrimento tem de torturar
Aqueles que ousam tentar lutar.
Lutar e sobreviver;
Apenas sobreviver..
Pois não há mais vida,
Não há mais nada além da dor de sua existência.

Os corpos são como as frutas murchas,
Mas por dentro e não por fora;
Vivos na aparência
Esmaecidos na essência.
E que essência seria essa?
Algum dia já existiu a felicidade?
Ela é a inimiga dos odiados,
Sonho dos fracos,
Ilusão dos românticos,
O nada para pessimistas,
E a migalha para realistas.

Morra,
Morra e lute.
Morra,
Morra e sofra!
Um pouco mais,martírio aos que a felicidade anseiam.
Sangra o teu devaneio.
Já não mais luto por essa tortura.

Niilistas já sabem o que passam
Mas nenhum castigo é o suficiente,
Me aconchego na aflição,
Não finjo ser contente.
Os demais que o fingem
Sofrem em angústia ardente.

Felicidade...
Uma ilusão confortante.
Marasmo...
A realidade deteriorante.

Maqueie a felicidade,
Cavando tua cova.
Sorria,engula o choro
E com ele suas ânsias,dores;
Leve tudo a seu peito,junto com o pranto.
Melancolicamente os animais do vale caminham sem vida,
Tão vivos mas ao mesmo tempo tão mortos,
Cercados pelo tempo.
Prazer em morrer cedo.

A morte não é um medo,
É uma esperança,
Para quem já está morto por dentro.
Quebram-se os galhos da ultima árvore.
O tempo acabou!
A ampulheta gritou,
Com o fim do tempo
A eles vem a morte;
E com ela,a paz.

Há algo mais angustiante que existir?
Dia após dia,morrendo gradativamente.
Mentiras,ilusões,
Medos e más ações,
Julgando-lhe explicitamente;
Pessoas vazias,que te deixam também num vazio
São como árvores secas e ocas por dentro,
Mas com uma casca ajaezada e garridas folhas falsas de plástico,
Brincando de faz-de-conta.
Faz de conta que és feliz,
Faz de conta que tudo está bem,
Faz de conta que não quer gritar,
E convide os outros pra brincar também!
Nas aparências parecem tão felizes
Como se tivessem alcançado o paraíso em Terra.
Nas aparências tudo está tão perfeito,
Mas no fundo todos têm defeitos.
Aparências,no que o mundo gira em volta.

Bem aventurados são aqueles que reconhecem os perigos da vida.
A quem tentam enganar aqueles que fazem tanta propaganda?
Apenas sofra,um pouco mais;
Acorde do utópico mundo perfeito,
Veja o mundo como ele é:
Recheado de caos e desespero.

Você não precisa aceitar,
Só parar de tentar ignorar.
Ignorar o seu sofrimento;
Ignorar o sofrimento do outro.
Acorde,aceite...
Mas tente mudar,
Chorar ou reclamar nada vai adiantar
Mas tenho certeza que continuar fingindo
Só vai piorar.

Nas sombras do Vale da Morte vagam os poetas,
Também se rastejam os desiludidos de tudo,
E se escondem os omissos ao mundo.
Mas todos estamos unidos por uma corrente de angústias,
Todos somos vítimas do descaso,dor e medo;
Não minta para si mesmo,
Não podemos negar,
Todos um dia irão descobrir e sentir.

A confiança em demasia é o nosso túmulo.
Indiferença é a facada letal;
Solidão em uma imensidão de necessidades.
Mar de desesperos,tempestades de consternações,
Um aperto insuportável!
Em cada coração
Cada respiração é uma tonelada.
Ruídos nos pensamentos,
Lágrima iminente,
Confusão na mente.
Todos precisam de uma saída,
Escapamento de stress;
Fuga emergencial das paredes de problemas...
Não são paredes,são entulhos
Que parecem se arrastar para cima de você.
Afoga-se em mágoas,a pressão chega ao limite,
Você explode em ansiedade e pranto!
O sofrimento te sufoca,mas não tem como fugir,
Incompreensível? Sua experiência faz parte da vida de muitos.
Todos guardam essa bomba em seus corações,
Porque ninguém se importa com o que o outro sente.

Aparências,
No vale é só mais um detalhe,
Todos continuam mortos por dentro.
O amor...
Os zumbis se perguntam o que é;
É tudo sobre se importar com o próximo,
Mas os animais desse vale não sabem amar,
Nem sabem quando são amados,
Até porque amar é apenas para animais que enxergam além de seu próprio sofrimento.
As plantas desse campo morto não amam,
Apenas se sentem atraídas pelas experiencias carnais,
Se atraem apenas pela estética
E pelo que o outro parece ser.
Tudo bem você estar morto e ser um cadáver que exala tristeza,
Mas o interesse por aparências é só mais um peso
Nos grandes depósitos de caos de cada um.
Pessoas vazias.

Morra,apenas morra por fora.
Solte esse ultimo galho,
Desvaneça da angústia!
Eu posso ser seu ponto de escape de dor,
Sou a pinça que lhe puxa a bala profunda;
Fuja para mim,por mim e por você,
Eu estarei lá para atenuar suas feridas.

Meu sofrimento é arremessado por palavras,
Palavras acumuladas de um modo específico,
Formando um aglomerado de palavras com sentido.
Cada palavra é carregada com um padecimento que em mim habita.
Transfiro a aflição para o poema.
O poema,tal obra que sempre afrouxou pelos séculos
E emanou por rabiscos a imensidão de uma mente.
Mente que ama,que se inspira,que odeia,que descreve,que idealiza;
E principalmente,uma mente que sofre.
Poemas são um esboço visual de uma amostra da gama de sentimentos humanos,
E uma parcela da quantidade de desassossego que condena uma alma.

Morro cada vez mais,
Sofro além do que sou capaz.
Notas em preto e branco,
Desalento bi-cromático,
Assim como me sinto por dentro.
No meu piano arremesso sentimentos inteiros pela sonata.
E numa valsa cada nota é uma gota de sangue,
E no ápice da taciturnidade
As feridas rasgam com raiva e desolação,
Intensifico a força e a velocidade,
Não mais numa valsa estou!
O som se abafa e me perco nos pensamentos...
Me afogo mais e mais,
Silenciado e tomado pelos meus tormentos.

Somos arbustos mortos e animais perdidos.
Almas condenadas se arrastando em espinhos.
Incompreensíveis mas tão iguais:
Aqui o caçador é a vida,
E nós somos os animais.
Lutando para sobreviver,dia após dia...
Cegos a tudo que vai além de nós mesmos.
Cegos a tudo,limitados a aparências.
Nos resta tentar entender,sobreviver,conviver
Enquanto nossa salvação de exício não chega.
O lúgubre vale cinza,
Inanimado,ocaso e arruinado;
Nenhum castigo é o suficiente!
Tortura contínua é tentar parecer contente.
As pessoas que te apoiam estão ausentes,
Tudo ficou soturno tão de repente.
Estamos no inferno na Terra,
Viver é o maior castigo,
Nossa mente o maior inimigo,
Pessoas vazias o maior perigo.
Venha fugir comigo.
Morrer,sumir,renascer,sofrer e sofrer.
Destruir-mo-nos para criarmos algo novo,
Das ruínas e do caos vem a nossa nova ordem.
Como a vida: O caos fantasiado de ordem.
Assim como tudo gira em torno dos sentidos,
Não há realidade para nós,para ninguém.
Então apenas fugimos para uma ruína,
Onde podemos morrer quantas vezes quisermos,com nossa própria confusão,
Sendo eternos em uma nova ilusão.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Fuga

Em perseguição à felicidade
Minh'alma é meu carro
Meu sofrimento o motor
Corrida sem fim
Sem fim da dor
Sem fim do medo
Inalcansável,motor exaustando
Carro derrapando
Piloto morrendo
Morrendo por dentro

Tristeza,meu combustível
Abastece minha dor carnal
Destruição mental
Labirinto emocional
Pingo a noite
O caos se aproxima
Não há parada
Viver é o perigo
Sem onde bater
Não aguento estar vivo
Arma sem carga
De mãos atadas
Sem controle ou freio
Fuga da realidade
Sem fuga da dor

Utopia da felicidade
Utopia da alegria
Deixe-me morrer de verdade
Fugir dessa agonia

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Em minha mente

Em minha mente há o paraíso,
Em minha mente você não é distante,
Em minha mente não há juízo,
Em minha mente amar não é 
complicado,
Em minha mente não fico louco,
Em minha mente te amar não me deixa machucado,
Em minha mente temos a vida perfeita,
Em minha mente nos amamos;
Eu sou o rei e você a rainha.
Em minha mente,
Você é minha.

Em minha mente você nunca está sozinha,
Vivemos na intensa fantasia.
Te amo e te beijo,
Tu abraça-me e me ama.
Em minha mente...
E apenas em minha mente.

Nos pensamentos,
Nos profundos sonhos;
Não há conflitos
Não há tormento.
Intenso lago.
Em minha mente tudo é real
Mas também tão falso:
Maravilhoso sonho adornado!
Em minha mente
Reflexos brilhantes cintilam,
De meu olho chove o drama,
Minha alma se derrete na cama,
Transbordando vazio.
É apenas em minha mente que você me ama.

Caos!
Desilusão!
No fundo carência,
E a falta de perdão
É o que me tortura fora da mente
E me deixa em escuridão.
A fantasia me assola
Você está morta!
Morta de alma,
Morta e enterrada em mim;
As promessas do início refletem nas mentiras do final;
As desculpas dos reinícios

Reluzem na lâmina que fatia e rasga
Os sonhos de que isso daria certo.

Não vejo você,
Estou cego. Cego de desgosto.
Você nunca estará lá,
Então também nunca estarei aqui.
Quem é você?
Quem sou eu?
Ainda tenho muito o que descobrir.
As certezas virão no nunca,
Os segredos nunca irão sair,
E nem você da minha mente.

Estou inundado em nada,
Rasgo meu desespero pelas palavras.
Sangro a tristeza pelo piano.
Desvaneço sentimentos em folhas de papel que agora estão se desvanecendo abandonadas.
Ao ápice da melancolia meus dedos dançam nas teclas negras do piano.
Por dentro grito me afogando em lágrimas de sofrimento.

Em minha mente
Há o paraíso,
Em minha mente
Há o inferno,
E sonho sem juízo

No eclipse que parece eterno
Em minha mente você é minha,
Em minha mente transpiro caos.
Numa intensa fantasia.
Em minha mente...
Tudo isso,
Somente em minha mente.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Perdão

Reflito no canto
Cansado
Abalado
E fico pensando
Parado
Alucinado
Me culpando tanto
Por termos nos distanciado
Sem eu ter lhe abandonado
O quão distante estamos
Tão inexpressivos ficamos
Estranhos viramos
Tão perdido eu ando
Pois você não sabe o quanto
O quanto eu gosto de você
Ou costumava gostar
O quanto me importo
E ainda me importo
O quanto eu te amo

Desconcertado
Saí machucado
E você não se importa mais
Inerte você está quanto a
O sofrimento que sua indiferença e frieza
Me faz passar

Você rasgou minh'alma
Por você fui amaldiçoado
E estou agora fadado
Ao grande peso
O seu desprezo

Perdoe-me
Eu nunca estou bem
Perdoe-me

Lembre-se dos tempos em que éramos juntos alguém
Perdoe-me

Perdoe-me por o que quer que eu tenha feito
Apenas... perdoe-me
Nossa amizade pode voltar e ir além
PERDOE-ME por favor
Caso contrário a paz nunca vem

Lembre-se das promessas
Doces promessas
Lembre-se dos sorrisos que demos juntos
Você era o meu mundo
Lembre-se das juras
Juro,não sou um Judas
Lembre-se!
E o que me garante que você também não é?
O problema está em mim?
Por que me culpar,
Se é você quem não quer perdoar?
Lembre-se que amigos tudo perdoam
Eu sou naturalmente louco,
Mas nunca um falso lobo
Deixe-me voltar à sua matilha
Fazer parte da sua vida
E não ser vítima de sua mortilha
Devorado aos poucos
Talvez ignorado
Mas fui jogado aos lobos
A sua complexidade me envolve
Quase me enforca
Estamos dando voltas em círculos
Correndo atrás do próprio rabo
De um modo bobo
Desculpe-me se quebrei sua confiança
Realmente agi como criança
Estou tentando recuperar
A vida maravilhosa em que costumávamos estar
E não te abandonei
Lembre-se
Das promessas que costumávamos trocar
Nem esqueci
Os planos de futuro os quais costumávamos sonhar

Reflito no canto
(Perdoe-me)
E fico pensando
(Perdoe-me)
Sou tão desprezível?
Por que me culpar?
Se é você quem não quer perdoar

Você é amável
Talvez me julgue inconfiável
Ou talvez nossa amizade não seja palpável
Para você descartável
De fato posso não ser tão sociável
Insuportável...
(Me perdoe!)
Então acho que ao seu ver
(Me perdoe!)
Sou imperdoável

Só me lamento
(No canto reflito)
Desculpas e desculpas
(Estou aflito)
Vivo de juras
(Cheio de culpas)
Meus erros são e foram terríveis
(Jamais te abandonei nem nunca irei)
Estranhos viramos
Me desculpe por ser tão inconfiável
Acho que realmente sou imperdoável
Me desculpe
Me perdoe
Amaldiçoado estou
E agora estou fadado
Ao terrível fardo
De ser imperdoável

Cometi o erro de te amar
E meu castigo 

É ser imperdoável

domingo, 21 de agosto de 2016

Sonhando Acordado

Nos últimos dias
Ou nas últimas semanas,aliás
Tenho muito me distraído
E muito também pensado
A verdade é que...
Estive sonhando acordado

Devaneios diários
Devaneios profundos
Pensei muito em você
Porque te amo muito(?)

Estou normal,
Pensando alto
Esqueço o que ia fazer
Me perdi de repente
E novamente
Me pego pensando em você

Meus sonhos são altos
Altamente utópicos,não posso evitar
Minhas fantasias diárias me dizem
Que quero te beijar

A qualquer momento
Quase todo pensamento
Me lembra você
Fútil "amor" platônico
Não sei por que me importo
Insípido apenas suporto

Nos últimos dias
Nas últimas semanas aliás
Só tenho pensado em ti
E nada mais

Por que sonhar acordado
E querer tanto o amor e presença
De alguém que só te trata
Com tanta indiferença?