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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Abismo das tentativas(um conto de erros)

Não importa o quanto tentamos,
Sempre continuamos caminhando
Pelas gargantas do inferno...

Caminhada fúnebre
Por tormentas e erros,
Afiados e errantes
Tormentuosos rochedos.

O céu está escuro,
As muralhas são cinza.
Pelo horizonte negro
Já não passa mais luz.
Estou sozinho, mas sinto por perto
Muitas almas torturadas
Carregando a mesma cruz.

O ar fica cada vez mais frio,
E tudo mais sombrio.
Caminho pela eternidade gritante da dor
Aqui estou há 18 anos
Mas o sofrimento é o mesmo desde que cheguei.

Meus pés calejados ainda sangram.
Com as pernas trêmulas de pura dor,
Uso as mãos para tentar não cair.
Meu corpo pede rendição,
Mas o diabo, em minha mente grita 'Não!'.

Continuo a me rastejar.
Apesar dos esforços e angústia
Já não tenho mais forças nem para gritar.
Minha cabeça não abriga um só eu,
Mas uma coleção de desgraçados
Que também estão cansados.
Almas sem alma;
Insanos sendo torturados,
Sofredores do passado.
Carrego o peso de cada um;
Ansiosos e enlouquecidos.
Bastardos!

Com o passar do tempo as rochas ficam mais afiadas
Ou eu que fico mais fraco?
Todos buscam a redenção
Mas ainda são condenados.

Cada pedra, uma tentativa.
Cada corte, um erro.
Cada cicatriz, uma lembrança.

Estão no inferno,
Mas não lembram de terem morrido.
Estou no inferno,
Ou estou apenas enlouquecido?

O castigo é nunca ser o suficiente
Mas também nunca desistir.
O macabro tridente de cada eu:
Nunca tentar mudar.

Gárgulas?
Esse inferno tem gárgulas!
Pois não são só as pedras - erros próprios - que cortam!
Pessoas podem causar um dano maior que qualquer tropeço.
Escorregue numa caverna com cracas
E será fatiado.
Seja rasgado por gárgulas,
Terá o coração dilacerado
E pela eternidade seu sangue,
Seu ânimo, será drenado.

Malditas e horrendas figuras aladas
Não me assustam tanto quanto
Horríveis promessas a serem quebradas.
Agora suo frio só de ver a sombra,
Mas não a sombra dos gárgulas.

Ouço trovoadas, mas não vejo qualquer luz;
Não existe céu.
De cima aparecem cinzas,
Mas não há fogo.
As gotas de sangue que mancharam cada rocha
Agora lúgubremente apodrecem.
Assobios ecoam de cavernas longínquas,
Mas tudo que há ao redor são paredões de rochedos.
Tão altos dentes que mal posso enxergar seus topos.
A escuridão da distância do fim,
Se mistura com o abismo do céu.

Não vejo cores, não sinto vida.
Não consigo pensar,
Mas minha mente não se cala.
Cada alma que em meu ser habita
É um pedaço de mim
Que sangra do passado.

Tentamos,
Mas até hoje nunca fizemos o suficiente;
Nunca vencemos, ninguém jamais poderia.
Sempre sendo devorados por bestas e gárgolas
E reconstruídos a partir de cacos e cinzas.

Nada é certo, nada será bom.
Numa jornada de agonia,
O mártir será um punhado de estilhaços
E seu passado será de melancolia.

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